cavações. obstáculos. vertigens curtas e abraços.
toda vez que acho que tô boa, escorrego, viver é assim, estar constantemente pela passagem. ritos. consagrações. nascimentos. pequenas mortes. calos. orgasmos. tensões. músculos que tendem mais do que os outros a estarem eretos e em pulsão. pupilas em lágrimas. deboches. lágrimas. deboches. escândalos. movimentos de saltos. aterrizagem.
continuo, se ocê não acreditar, continuo… preencho número, realizo currículos, pesquiso mulheres, me alimento de mulheres, mas ainda assim: há vazios. buracos a serem cavados à unha na terra dos músculos. durante a aula, tarcísio fala que o maior órgão humano é a carne-pele, duvido em silêncio, sei que nossas vontades perante ao sol são maiores. maior órgão é os sonhos que nos sustentam. ciência, co-ciência, consciência. nada basta. nada sabemos. só dos abraços curtos e dos gritos contidos. isso é de nossa geração. geramos pequenos posicionamentos sociais, mas quase nunca, ou nunca, sabemos o que se passa no átrio direito, esquerdo. ventrículo. pulmão. o que move a gente neste caos-mundo. pergunto.
pergunto agora num grito teatralmente teatral, mas pergunto em passagem do tempo e do dia
o que move estes corpos-carnes no mundo.
ensino. aprendizado. vício. sistema. capital.








